Opinião: Erramos feio e vamos pagar por isso…só não tomamos noção ainda.

Talvez um dos maiores desafios da nossa recente democracia foi a chamada Greve dos Caminhoneiros, que em poucos dias colocou o Brasil em xeque. Nas mãos de uma categoria injustiçada, passa mais de sessenta por cento de tudo o que é produzido pelo pais. E eles não aguentavam mais tanto arrocho.

Afinal, por trás de cada volante de caminhão, existe um filho, um marido, uma esposa, pessoas. E eles deram um basta. E a causa que eles reivindicam é mais do que justa e teve apoio e comoção popular. Muitos se identificaram, se solidarizaram, se inflamaram. Óbvio, celebridades instantâneas e muita gente se dizendo “líder” apareceram de todos os cantos. Muito se comenta sobre as perdas e prejuízos, todos na casa dos bilhões também. Mas se pudermos comparar esses dias de muita tensão como uma guerra, teve efeitos colaterais que não serão recuperados tão cedo.

Mensagens de grupo de WhatsApp chamaram a atenção de mais pessoas, eles se fortaleceram. O governo não tinha ideia do que fazer. Eles subestimaram o poder deles e mostrou o quanto é frágil a liderança diante de situações que necessitam de ação. E nesse impasse e informações desencontradas, demorou-se muito para se posicionarem.

Desabastecimento em muitos setores críticos, prejuízos na economia e setores produtivos. E nos primeiros cinco dias o caos se instaurou. Mas é ai que começa o erro. O Brasil tem uma das cargas tributárias mais caras do mundo e esse não seria o momento para ser o começo da tal mudança que todo mundo espera que aconteça? Deveria, mas não foi assim.

Poderia ter sido o inicio de uma “revolução”  para reivindicar mais, que beneficiasse a todos e não a poucos,  mas erramos de novo:  o que mais se viu foi corrida a supermercados e postos de gasolina, um dos derivados que nem sequer entrou no tal pacote de redução. Aqui em Ilhéus mesmo, você realmente acredita que todas aquelas pessoas que ficaram horas numa fila para abastecer seus carros era por necessidade ou por pânico? Quando o botijão de gás estava sendo vendido a R$ 120,00, não se sentiu roubado? Sentiu e em muitos casos, pagou. E erramos mais uma vez.

E engana-se que o governo cortou na própria carne, reduziu gastos desnecessários, tomou um choque de realidade, a redução do tão cultuado fundo partidário, que está na casa dos bilhões de reais, e que aqui no Estado apenas um pré-candidato a deputado federal abriu mão, o que também poderia sinalizar uma mudança de mentalidade, mas nada disso. Foi de setores essenciais como saúde, educação, combate as drogas e outros mais que eles fizeram o corte. A conta desse desconto de centavos apenas no diesel vai custar e caro para a população e consequentemente vai cair na conta do próximo governante eleito, ou seja, erramos de novo, ao aceitar que cortem de recursos importantes  e usem como uma desculpa para cobrir os gastos de uma reivindicação justa.

Isso nada mais é o resultado de várias decisões erradas tomadas há mais de uma década que começaram a se sentir os efeitos agora, inclusive para a classe dos caminhoneiros. Também é o resultado de como não se deve  resolver no improviso situações complexas. Teve seus acertos e conquistas foram alcançadas, mas que preço ainda mais a população terá que pagar para que se faça algo a respeito?

E erramos de novo, e mais uma vez. Esse será mais um daqueles momentos em que a população dá um basta, se revolta, tem razão em se indignar, mas perde o foco. Prefere ir as redes sociais ou fazer o contrário do que espera que faça; E nesse país, um ciclo interminável de problemas ainda maiores do que esse podem emergir. Isso não é pessimismo, é constatação.

Independente de quem se eleja presidente, ele ou ela terá uma dura tarefa: Colocar o Brasil o lugar que é de direito. E não se tem a impressão que lutaram tanto para conseguir tão pouco? Lutar por centavos, mesmo sabendo que cada conquista por menor que seja, não deixa de ser uma conquista?

Caro leitor, não se iluda: Essa conta, até que de fato haja uma mudança, somos nós que iremos pagar.

 

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