Mercado de Trabalho: A falta de experiência ainda é tabu para se conseguir o primeiro emprego

Com informações do Hyper Jobs

Quando o assunto é buscar recolocação profissional, principalemente quando se é jovem e inciando nesse processo, se engana quem acredita que essa fase da vida é um período de alegrias e  muito conquistas. E é nesse periodo que se enfrenta grandes desafios. A crise financeira fez com que as vagas diminuíssem, deixando a situação ainda pior. De acordo com um levantamento do IBGE, o desemprego entre os jovens de 16 a 29 anos, atingiu a casa dos 16% (dados de 2015). E olha que essa é uma geração com muitas competências e com bom nível de escolaridade, e mesmo assim, a os entraves ainda são grandes.

Apesar de serem capacitados, jovens têm até 70% menos chances de conseguir um emprego, se comparado aos trabalhadores com mais idade e mais experientes. Aliás, a falta de experiência ainda é o motivo principal que impede o jovem de conseguir seu primeiro emprego. Junte nessa salada as exigências cada vez maiores das empresas contratantes e o aumento no número de profissionais preparados disponíveis no mercado. Por isso, o desafio do jovem é ainda maior quando o seu grau de instrução diminui.

Essa resistência das organizações em contratarem jovens, também está relacionada à questão comportamental, que pode eliminá-los na hora das entrevistas, logo no início do processo seletivo. Muitos não sabem dizer o que realmente esperam de uma carreira e mostram pouco interesse em aprender. Por isso, as empresas acabam considerando mais as informações curriculares, que as potencialidades do candidato mais jovem.

O estágio, que aparecia como uma porta de entrada para o mercado, também teve suas vagas reduzidas, colocando o jovem numa desvantagem ainda maior. Esse despreparo para ocupar uma vaga de emprego é visto, por muitos consultores, como uma falha no próprio sistema de educação, que aqui no Brasil, não prepara o jovem para a vida profissional nem para as imposições do mercado de trabalho.

Apesar dessa geração ter muitas habilidades, não existe por parte da empresas e nem dos governos, uma política para preparar o jovem para exercer essas e outras profissões. Investir em treinamento de novos profissionais pode ser positivo para o empregador e para quem quer ter a oportunidade do primeiro emprego. O ideal é que nos processos seletivos pudessem  identificar as capacidades do jovem e assim ser possível analisar se seus valores combinam com os princípios da empresa, justificando uma contratação para treinamento específico.

As dificuldades são muitas, mas ainda assim é preciso persistir. Algumas formações podem ajudar a compensar a falta de experiência, como cursos de capacitação e fluência em uma segunda língua, de preferência, o inglês. Na entrevista é interessante deixar claro que apesar dos desafios, você não quer perder aquela oportunidade. Mostre então, disponibilidade e vontade de aprender. O aprendizado pode ser o início de uma carreira de sucesso e essa postura pode impressionar seu futuro chefe.

Esse vídeo do Youtube do “Diário de bordo de um caminhoneiro” de 2015 retrata bem esse dilema. Nele, o narrador mostra as dificuldades de se conseguir trabalho, sendo para motorista, que é o assunto abordado no vídeo, mas serve como base para qualquer outra profissão.

Um comentário em “Mercado de Trabalho: A falta de experiência ainda é tabu para se conseguir o primeiro emprego

  • setembro 26, 2018 em 7:12 pm
    Permalink

    Isto acaba sendo um tiro no próprio pé, não apenas dos empresários, mas da nação em um todo, pois quando não dão oportunidades aos jovens, estão não apenas pisando nos sonhos e objetivos de pessoas que ainda estão entrando no mercado de trabalho e sim, também impedindo que uma renovação dos profissionais e a continuidade de muitas carreiras permaneçam.

    Pego como exemplo o SENAI. Pensem em um curso de eletricista. Se um estudante após finalizar o aprendizado, não conseguir emprego por conta da inexperiência, além de perder tudo que aprendeu, ainda diminui a vontade de mais pessoas tentarem ingressar na área. Diminuindo a demanda pelo curso e obrigando a instituição de ensino a parar de formar pessoas no mesmo, já que o custo é alto e se não há mais interesse, não tem motivos para dar continuação.

    Ai o que acontece? A partir de um tempo, os antigos ou se aposentam ou vão embora do país, sendo que o Brasil possui uma capacidade humana de trabalho incrível e que mesmo não sendo reconhecida aqui, lá fora é disputadíssima entre marcas grandiosas. E com os mesmos ou saindo do país ou se aposentando, obrigatoriamente faz os mesmos empresários que um dia não deram oportunidade para os jovens, terem de contratar pessoas de fora.

    Mas ai que vem a questão. Para um estrangeiro ou um ex-cidadão brasileiro, vir para o Brasil, saindo muitas vezes de uma nação de primeiro Mundo, aonde é valorizado, recebe bem, tem seus impostos revertidos em boa educação, saúde, infraestrutura e segurança para sua família e para si, em um local invejado…. o mesmo não irá cobrar barato!

    As vezes, o que o trabalhador iniciante estava buscando por aqui, a empresa terá de pagar para um estrangeiro, entorno de 20 ou 30 vezes mais, implementando além do salário, benefícios absurdos para os mesmos aceitarem vir para cá.

    Caso contrário as indústrias da área irão fechar as portas e perderemos não apenas muita mão de obra qualificada, mas também a capacidade de produzir muitas coisas, obrigando-nos a comprar de fora, com os impostos e taxas do Governo, aumentando o valor dos produtos em dezenas de vezes, prejudicando não apenas o consumidor e sim, o país em um todo, já que deixaremos de ser auto-sustentáveis em uma área importante e nos tornando dependentes de outros.

    Então, quando um engravatado impede um aprendiz de ingressar em sua firma, não apenas está jogando tudo que o mesmo fez, pelo ralo, mas também todo um futuro industrial também e sua própria empresa junto nisto.

    Por isto o Brasil é um país de terceiro Mundo, praticamente sem competitividade nenhuma ai fora, porque não apenas nossos políticos são extremamente ignorantes, mas também os empresários que ainda administram seus domínios de maneira antiquada e indiferente ao que os cerca.

    Por conta disto sofremos tanto em crises, porque não somos uma nação que consegue se sustentar sozinha e totalmente indiferente a si mesma.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.