Saúde: Com fechamento do HRLVF para reforma, mãe fica sem apoio para tratar doença grave de filho.

Apesar do enorme apelo de servidores, alguns membros da classe politica, sindicatos e conselhos de classe, parte da população (que deveria ter uma participação maior, ativa e atuante), e membros da sociedade civil, o Regional partiu para a reforma e readequação a uma unidade materno – infantil, necessário na opinião do poder público municipal, governo do estado e afins.

Na opinião de muitos, uma ação que poderia ser melhor pensada, e isso por si só, gerou as mais diversas opiniões e debates, o que gerou efeitos colaterais, inclusive com mortes. Recentemente no Ilhéus em Pauta fizemos uma matéria sobre o caso Célio, que mobilizou nas redes sociais todo um esforço para que recebesse atendimento adequado, pois corria risco de vida, e essa batalha foi vencida. Ele segue em observação segundo a família, mas inspira cuidados contantes no HRCC.

Mãe luta para que filho tenha atendimento adequado, uma vez que o HRLVF fechou para reforma (Foto WhatsApp)

Como foi informado no inicio da matéria, o HRLVF  fechou para reforma, e os últimos pacientes foram transferidos ou retirados do local. Um caso em especial chegou á nossa redação, e mostra, na visão dos familiares, como pacientes que necessitam de cuidados específicos ficam sem apoio quando a unica unidade que podia dar esse respaldo, não pode dar mais esse suporte, contando apenas com eles mesmos.

O Ilhéus em Pauta narra a historia de Miriam Passos, dona de casa, 27 anos e seu filho E.P.S de 10 anos, estudante, que sofre de Esferocitose, que é é um tipo de anemia de transmissão hereditária que se traduz pela presença de hemácias microcíticas (pequenas) e com alta concentração de hemoglobina (normocrômicas, porém concentradas), de forma esférica e sem palidez central. Clinicamente, os pacientes podem apresentar desde condições assintomáticas até quadros graves de anemia hemolítica.

A mãe, pela pouca idade na época, acreditava que o seu filho tinha uma anemia e com remédios convencionais ele seria curado, mas quando a criança completou 4 anos e teve uma crise séria, e claro, com o diagnóstico preciso, tomou ciência do que ele tinha e sua vida mudou completamente; e sabia que teria uma longa batalha pela frente.

A família via no HRLVF um porto seguro, mesmo não sendo o mais adequado, segundo a mãe, que teve que abrir mão de trabalhar para cuidar do filho em tempo integral desde o nascimento do seu bem mais precioso. O correto segundo a mãe, é ter um tratamento mais adequado em um hospital especializado para o caso dele, que em Ilhéus, não existe.

A mãe imaginava que o seu filho seria transferido para um hospital para dar seguimento ao tratamento. Ledo engano. Foi informada pelos funcionários que não teria como transferir pela unidade e pior: Não teriam meios de ajuda-la num primeiro momento e teria que buscar atendimento e ajuda por seus próprios meios.

Naturalmente, uma pergunta veio à tona: Ela teve apoio de algum politico, secretario de governo, ou algo do tipo? A resposta foi um sonoro não. Nesta semana, para dar continuidade ao tratamento ela se dirigiu a uma clinica particular, e lá foi informada que no espaço não tinham os equipamentos adequados para o exame. Para essa mãe, cada recusa ou obstáculo é um desafio a ser vencido, mas pela vida do filho, ela não desiste.

Segue aplicando medicamentos e dando o máximo de conforto para que a criança não sofra, e tenta do seu jeito dar uma vida próxima da normal. “Vou lutar pela vida do meu filho, vou até o fim para que ele tenha um motivo todos os dias pra viver. Estamos na mão Deus” – comentou. Ela tem uma filha de 6 anos e esposo que abraçou a causa do garoto como se fosse seu próprio filho (ele é fruto de um relacionamento anterior) e sobrevivem com a ajuda de poucas pessoas e amigos. Cada deslocamento por menor que seja, a criança sofre. Não vai com regularidade à escola que fica até no bairro vizinho (Nossa Senhora da Vitoria) e as queixas de inchaço e desconforto são constantes.

Para quem está apenas como espectador, e não tem familiares ou entes queridos passando por essa situação, pode gerar até uma certa revolta, por essa mãe se sentir abandonada e deixada à própria sorte. Esse é mais um caso entre milhares. Mas cada caso é uma vida em jogo. E essa é a primeira impressão que se tem: descaso, abandono e outros sentimentos tão humanos o quanto. Ela, como não pode trabalhar, sobrevive de um dispositivo fornecido pelo Governo Federal chamado de BPC (Benefício de Prestação Continuada de Assistência Social, um tipo de ajuda mensal equivalente a um salário mínimo que o INSS proporciona a idosos com 65 anos ou mais, pessoas com deficiência e/ou incapacitadas para o trabalho  no valor de um salario minimo, que não dá pra suprir tudo, e eles se viram como podem.

Outra coisa que poderia ajudar seria um meio de transporte até para ajudar nos deslocamentos e tratamentos médicos, mas como nada para essa família é fácil, o SIT (Sistema Inteligente de Transporte) da cidade, negou o fornecimento gratuito das passagens, alegando segundo a mãe que “como o caso não é de deficiência e sim de doença, o perfil do paciente não se equipara aos do SIT”, por isso o beneficio foi cortado. E ela descobriu do pior jeito: Se deslocando para mais uma visita médica e o cartão foi bloqueado, obrigando ela e o filho a descer do coletivo. Um constrangimento sem tamanho. “Fica um jogo de empurra: a Sesau joga do SIT, que devolve a Sesau. Dei uma queixa no Ministério Público. O caso do meu filho é crônico, eles não tem coração”? – indagou, com a voz embargada.

Moradora do Sol e Mar, no extremo da zona sul da cidade, tudo é longe e complicado. Uma das opções de tratamento segundo algumas publicações médicas em que o IEP fez uma rápida pesquisa, seria a retirada do baço, que poderia dar uma melhora na qualidade de vida, mas não é 100% eficaz e pela pouca idade, tem mais perguntas do que  e respostas. Mas o curioso, é que durante a entrevista via áudios de WhatsApp, ouvia-se ao fundo palavras de ordem no que parecia ser um culto evangélico e as palavras “Deus”, “proteção” e ‘estar nas mãos Dele” foi citadas em várias ocasiões, o que mostra que a fé dessa mãe é inabalável e convicta que através não só disso, mas de não desistir da luta, em algum momento, algo de bom aconteça.

Nota do IEP: Mesmo com tudo lutando contra e “o caos no imaginário coletivo  da população”,não deixa de ser um caso a se pensar: Se ele vai engrossar ainda mais a triste estatística, o que esperamos que não, se ninguém irá interceder por essa mãe, e se quando o HRLVF voltar com a nova função de materno infantil e  se o caso dele será abraçado, e muitos outros questionamentos. Resta a nós do Ilhéus em Pauta torcer que tudo corra bem, e que essa família volte a sorrir e viver a vida plena que eles tem direito.

*IEP Exclusive

Um comentário em “Saúde: Com fechamento do HRLVF para reforma, mãe fica sem apoio para tratar doença grave de filho.

  • março 11, 2018 em 5:54 am
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    Que Deus esteja a frente de vcs!!!😔
    É inaceitável esse descaso sou mãe e tbm sinto por vc e seu pequeno!! Estarei orando vc nao está só vcs vão vencer em nome de Jesus…

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